sábado, 18 de abril de 2009


Você me lembra terra e fogo
luz, lua e carvão.
Você é minha mão no fogo
minha mãe, meu leão.
Você é nuvem, magia e cor,
Você é o meu pé no chão.
Você sou eu em qualquer jogo,
Você é minha inspiração.
Você é o vermelho em diversos tons
e perto de você, eu sou observação.
Vim aqui e te fiz crescer,
mas longe de você,
eu seria apenas imaginação.

Sou mais eu porque sou você.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Muito meu...

A palavra entra com fúria, a palavra vem confusa, e tudo que eu sei é que, em mim, ela se reproduz tanto quanto me renova. Me permito esse passeio ao passo em que aceito o seu convite, o de passear pelas suas significâncias, e essas por sua vez, cada vez mais vão ganhando meus tons pessoais, cada vez se tornando mais carnal, carne minha. Tudo em mim é tão insistente que se fixa e não se vai. Se fecho os olhos ainda vejo cores fortes, se tapo os ouvidos ainda ouço canções vibrantes, se deixo de lado minha sensibilidade, ainda assim sinto poesia. "Poeta, poetinha camarada", eis minha sina, palavra minha.

Por perto

Deixe que eu decida, se é cedo ou tarde, se ja é hora ou se estamos atrasados,
se é pra sorrir ou pra fingir que não dói.
Deixe que eu escolha o tom da voz, da música, da cor que vamos pintar.
Deixe que eu sinta. Sua chegada, seu cheiro, sua pele, e um dia sua ausência.
Deixe que eu fuja e deixe que eu volte.
Deixe que eu fale, deixe que me cale, não deixe meu silêncio te incomodar.
Deixe que o vento leve palavras cuspidas, deixe guardadas palavras eternizadas.
Deixe que o dia acabe, que o ano passe, que a vida aconteça, sempre por perto.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Relato antigo de um dia qualquer...

Resmungava da falta de tempo pra tudo, qualquer coisinha que fosse sendo adiada e adiada em função da falta de tempo. Tempo. Preciosa contagem de quanto temos em mãos. Entre descansos corriqueiros nas três horas de ônibus por dia, sonhava com mais tempo. Entre intervalos de aulas e reuniões de trabalho, corria contra o tempo. Contradição de ir contra aquilo que você mais quer ter. Tempos modernos mocinha, vai aprendendo! E pedia pelos tempos antigos, pedia pelas manhãs de desenho animado, lembrava de como se sentia o Garfield que so pensava em "comer dá sono e dormir dá fome", pedia pelo misto quente com queijo derretido e vitamina de banana da infância, lembrava dos dias que teve catapora e gostou! Criança pilantrinha quando arranja motivo pra não ir pra escolinha gosta, mesmo sendo doença que coça e deixa marquinha. E comemorava correndo em volta do molhador de grama. Liberdade! "Essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".Lembrava do "Bicudo", mais conhecido como "o homem do saco", que leva a gente embora, caso a comida ficasse no prato. Lembrava da história contada pela Tia-avó, fingindo que os feijõezinhos davam as mãos e iam em filinha pra nossa boca, enquanto se balançava na rede, do lado de fora de casa. Lembrava das tardes em que chegava do colégio e ficava largada em casa, ainda de farda, na cama dos pais, enrolando pra estudar, comendo biscoito Bono com Nescau, assistindo video show, vale a pena ver de novo, sessão da tarde, malhação. Pedia pra voltar no tempo, mas achava que era em vão, até cair de febre, gripe, molho. Quando você não pára por si só, seu corpo da um jeito de fazer você parar. Quando as coisas não acontecem de dentro pra fora, vem um fato externo que faz acontecer de fora pra dentro, já dizia a secretária gordinha do meu antigo estágio, quando comecei a ficar grandinha. Grandinha e em casa o dia todo já não tem mais a mesma graça. Apenas um dia e o tédio já toma conta da grande tarde de video show e você já nem acha mais que vale a pena ver de novo, e desliga a TV antes de malhação começar. Coisas com gosto de infância ficam pra sempre na nossa memória, e têm um valor maior enquanto estão la guardadinhas. Quando a gente já não cabe mais no modelito da Cris & Nanda e da Lilica Ripilica, quando a mochila da Company já não combina mais nas nossas costas e quando o conga, o tênis de moranguinho e o Reebok preto de botinha já ficam rídiculos nos nossos pés, ficar em casa esperando a vida passar também é ridículo, e a única coisa que ainda é cabível na cena atual é o colo de mãe. Esse sim, pode passar 500 anos, continua se encaixando muito bem!

Inconstante.

Se descobrir inconstante é se achar em meio a nós, que nem nó de corda, cordão, cadarço, fios de carretel embolados. Embolar-se em si mesmo é se misturar diante de suas escolhas. É querer hoje e já não saber amanhã. É ter ido dormir contente e acordar insatisfeito, é ser lua em fases diversas, é ser quase bipolar. É estar confuso tentanto estar convicto, é estar meio cego e ao mesmo tempo vendo demais, vendo além do que os outros vêem, e não conseguir se explicar, se fazer entender. É beirar a loucura, é querer tirar férias de si mesmo. É um vai e vem de emoções, uma montanha russa do humor, um frenesi instantâneo e certo do que quer, seguido por um maremoto de não querer mais. É mudar de idéia. Uma, duas, dez, dez mil vezes. É ser monofásica, bifásica, trifásica. É recomeçar um plano, re-traçar uma meta, agarrar o foco com as pontas dos dedos, quando ele está para escapar das mãos. E quando o "bem que demorou de chegar" enfim estiver em segurança nas mãos suadas, é saber não deixar escorregar outra vez. É sugar, sugar o melhor de si próprio, e expulsar de si para que se torne real. É saber, é não saber, mas ir fazendo acontecer. É registrar, divulgar, e esperar. É aparecer sem máscaras, nua, crua, verdadeira cara amarela da falta de verão.
Tenho assumido muito minha cara amarela, meus surtos e dilemas. Quem quiser que não goste. Eu não vim só para colorir, só pra agradar.
E quer saber? Respeite suas nuances, moça. Um dia elas irão te agradar. Se até cobra feiosa vira bolsa cobiçada, porque sua loucura não pode te fazer voar?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A menina que roubava livros - Relatos de 31 de Julho de 2008

"Quando viesse a escrever sua história, ela se perguntaria exatamente quando os livros e as palavras haviam começado a significar não apenas alguma coisa, mas tudo. Teria sido ao pôr os olhos pela primeira vez na sala com estantes e mais estantes deles? Talvez nunca houvesse uma resposta exata sobre onde e quando isso havia ocorrido. Seja como for, estou apenas me adiantando. Antes de entrarmos em qualquer desses assuntos, primeiro precisamos dar uma volta pelos primórdios de Liesel.". Uma das páginas de "A menina que roubava livros", livro que começa triste e perturbador, mas se você insiste nele, acaba se apegando à história, ainda que seja um pouco cedo para que eu afirme isso, mas não tão cedo para já me identificar com alguma parte da história. Os livros que vêm parar nas minhas mãos, nunca vêm por acaso. Como tudo na minha vida, tudo tem um motivo de ter sido "naquele tempo" e "daquela maneira", tudo se encaixa, tanto quanto as estrofes e refrões que embalam sonoramente os meus momentos, tanto os que marcam, como os que apenas passam por mim, ou eu por eles. Uso palavras alheias para me registrar, talvez seja essa a minha maneira de dizer tudo, e nada, ao mesmo tempo. Não foi por acaso que decidi entender de Psicologia, ainda que eu não tenha tido consciência plena dos motivos que me levaram a isso quando entrei por essa porta. Sempre tive extrema curiosidade pelo comportamento humano, especialmente por aqueles difíceis de explicar, e mais ainda, difíceis de se entender. Talvez por isso, sempre atraí pessoas de personalidade questionadora, de jeitos e trejeitos instigantes, de formas de se expressar muito parecidas com as minhas, ou completamente opostas. Dizem que os opostos se atraem, porém, não se suportam. Talvez pela angústia que nos causa não poder compreender atos e comportamentos tão diferentes do nosso repertório de formas de expressão. E angústia não é um sentimento fácil de administrar, embora, muitas vezes, ela nos impulsione para conquistas. Mas e quando nem a si próprio é fácil de justificar, explicar, traduzir? Sempre que decidi me entender, me vi de forma contraditória. Às vezes consigo "ser o ser" mais contraditório do planeta. Na agonia e na pressa de conhecer, busco paz justamente em livrarias, quer ambiente mais angustiante? Consegue passar a paz do silêncio, onde somente os livros falam...e por saber o quanto eles têm para me falar, me inquieta saber que não tenho todo o tempo para ler. Minha ansiedade me faz pegar os três livros aos quais tenho direito pela cota da faculdade, mas também, me faz não ler nem metade de algum deles. A ansiedade nos move, mas também nos paralisa. Quem quer fazer tudo, pode acabar não fazendo nada. E viva o desassossego! Como fomos treinados a redigir redações na terceira pessoa do plural, perdemos o hábito de nos expressar na primeira pessoa do singular, o que nos leva a nos esconder atrás de textos que não assinamos, atrás de letras de músicas com as quais apenas nos identificamos. Perdemos o costume de expressão pessoal e singular, aquele que dá a cara a tapa, por dizer "sim, essa sou eu!". Nos expões demais, não é? Entretanto, pela grande intimidade que tenho com a palavra escrita, e não tanto com a palavra falada, posso te escrever sobre mim. Eu? Eu tenho sonhos que mal cabem em mim, eu tenho uma alma que fica apertada no meu corpo de tão afobada que ela é. Eu tenho um espírito que voa longe e me traz a busca por andanças. Eu tenho fome de conhecimento, fome de boa música, fome de boa leitura, fome de cultura, fome de paixão, fome de liberdade. Eu quero beijos que entorpeçam minha alma eufórica e que carreguem meu espírito leve para mais uma andança. Eu quero caminhar em trechos de poesia cantada, eu quero sentir minha constante pressa em ser, em ter, e em fazer o meu mundo mais colorido, mais culto, mais brilhoso, mais meu. Almejo conquistas, me viro nas circunstâncias, me jogo no desconhecido e lido com o amor com cautela, por ainda estar aprendendo a entender desse mistério. E quanto aos "primórdios" da menina que roubava livros, eu digo: sim, eles têm importância de causa e efeito. Não só na história dela. Mais uma vez cito uma frase do livro: "As pessoas têm momentos definidores, suponho, especialmente quando são crianças". Definidor pra mim, foi quando, por aquela curiosidade que nos consome, quis entender as cartas que meus pais trocavam e ficavam guardadas num criado mudo no quarto deles. Aí sim se tornou interessante a leitura nossa de cada dia...ler sobre o amor, o mistério nosso de cada dia...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Saudade.

Pra comecar me perdoem pela falta de acentos. Estou do outro lado do mundo, e para os suicos nao faz sentido colocar uma cedilha no nome do pais (acento agudo no i) deles. 'Eh capaz deles nem saberem do que se trata. Cedilhas, circunflexos, e etc ficaram no Brasil, junto com um monte de coisa que faz meu coracao doer de saudade. Ha uma semana atras eu parti para uma nova vida. Ansiosa, nervosa, com medo, com o coracao pulando, alegre e triste, intensamente. Emocoes se misturam e a vida segue. O que posso dizer ate entao eh que despedidas sao doloridas. Se despedir eh se despedacar. Voce leva um pedacinho de outro alguem mundo afora e deixa um pedaco seu naquele lugar. E mesmo depois de tantos lugares lindos que ja conheci e ainda vou ter a chance de conhecer, nao ha beleza maior do que a colecao de pedacinhos que levo em mim, com os outros que deixo por ai. Nao preciso de mais do que uma semana para ter certeza disso, e talvez nao fosse nem preciso estar longe para tal, mas como disse Amyr Klink, famoso por suas aventuras maritimas e distantes do seu canto de origem: "foi preciso conhecer o frio para dar valor as aguas quentes de Paraty". E enquanto eu me encolho na minha cama quentinha para me proteger do frio de zero grau que faz la fora, aqui dentro tem um sangue tropical sentindo falta daquele espacinho quente no canto da sua cama, meu amor! Aonde eu me aconchegava no seu ombro e me envolvia no seu abraco a noite toda. Ainda que eu compre dez casacos ou que me enfie debaixo de vinte edredons, nao teria o mesmo efeito de estar colada na sua pele, do seu lado. Esse post entao foi pra vc. Que falta que sinto da nossa paz.